Compostagem nada mais é, que a reorganização de materiais orgânicos e inorgânicos disponíveis na propriedade ou região, transformando materiais crus (folhas, mato, resto de verdura e de cozinha, resíduos de beneficiamento, esterco, cama de animais etc.) em composto curado. Esta decomposição acontece pela ação de microorganismos e pela fauna do solo.
A compostagem tem como objetivo adiantar o processo de decomposição que aconteceria no solo, fora do solo. Diminui problemas com relação a patógenos e sementes de mato que poderiam estar sendo transmitidos pela matéria orgânica não decomposta. Ao contrário, apresenta uma altíssima quantidade de fungos, bactérias entre outros microorganismos benéficos.
Juntamente com substâncias que apresentam efeitos positivos sobre a resistência das plantas a pragas e doenças. Contém 10 a 13 vezes mais nutrientes, se a matéria prima for variada, do que os estercos puros. Embora esses contenham maior quantidade de macro nutrientes. Estimula a vida do solo, isto se for usada no momento em que a temperatura começa a baixar, ou seja não totalmente decomposta.
Para que o processo de compostagem se realize com eficiência, devemos suprir as necessidades do microorganismos que são os operários deste processo. Isto significa uma relação carboidrato proteína - relação C/N da mistura de 25 a 30/1. Materiais ricos em proteínas (restos de cozinha, esterco, grama recém cortada, cama de animais, sementes entre outros) possuem uma relação C/N baixa, e se combinam bem com materiais ricos em energia - carboidratos (folhas, palhas secas, papel, serragem, normalmente são partes secas, duras e rijas) de relação C/N alta.
Tabela: Relação C/N (carbono/nitrogênio) de alguns materiais orgânicos:
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Como conseguir esta relação 25 a 30/1? Suponhamos que você tenha disponível em sua casa, para fazer um composto restos de comida e grama recém cortada cuja as relações C/N são respectivamente 15/1 e 19/1. Os dois materiais juntos na proporção 1:1, daria uma relação C/N igual a 17/1 (basta somente somar 15 + 19 carbonosa divididos por dois nitrogênios). Para que o composto aconteça com eficiência, sem perdas de nutrientes e maior rapidez a relação deveria ser maior (25 a 30/1). E isto só irá acontecer se colocar outra matéria rica em carbono. Caso contrário a relação C/N circulará entre:
- 1:0 só grama recém cortada, relação C/N 19:1
- 1:1 uma parte de cada, relação C/N 17:1
- 0:1 só resto de comida, relação C/N 15:1
Então colocamos uma parte de folhas secas de relação C/N igual 40/1 (veja a tabela), naquela mistura de 1:1 (17/1). E obtivemos uma mistura de relação 28,5/1. Ou seja, uma proporção de 1:1:1 em peso. Sendo assim tem um volume bem maior de folhas secas. A tabela de relação C/N ajuda a nortear as proporções, mas você no fazer é que descobrirá melhor caminho, mesmo porque as relações C/N variam e o que está na tabela pode não ser verdade para o seu caso. O correto seria fazer análise do seu material. Mas caso não puder, vá observando a temperatura. Você montou a pilha e a temperatura não subiu dentro de 24 horas, desmanche a pilha e refaça, utilizando um pouco mais de material rico em nitrogênio. É sempre bom inocular o composto com microorganismos favoráveis. E isto pode ser feito sem haver a necessidade de comprar qualquer inoculante, basta tirar uma porção de solo orgânico. Esta porção será polvilhada por cima das camadas durante a confecção da pilha. Depois de feita a primeira pilha, as próximas, receberam ao invés da terra uma porção de composto ( inoculante).
A confecção da pilha se dá em camadas, a fim de facilitar a visualização das proporções. Normalmente três partes de carbono para uma de nitrogênio. Mas se o material já foi separado previamente na proporção certa, não é necessário haver camadas, é até melhor pois assim os componentes ficam mais próximos o que facilita o trabalho dos microorganismos.
Quando feita em camadas, coloca-se primeiro o material palhoso e sobre ele o rico em nitrogênio, se houver necessidade de água, irrigue. Vá fazendo até o monte atingir dimensões máximas de 2 metros de largura por 1,5 de altura por comprimento variável. Importante num composto além da relação C/N é a umidade e o ar. e por isto que a pilha não pode ser muito larga. Alguns materiais frescos não precisam de muita água por exemplo grama recém cortada. Outros secos necessitam, e isso deve ser feito no momento em que se monta a pilha, camada por camada, como foi dito à cima. A pilha não deve ficar encharcada pois os microorganismos necessitam de oxigênio. Depois de montada a pilha deve-se protegê-la de chuva, utilizando para isto palha seca, saco plástico etc. sobre o monte. Se houver condições para fazê-lo em local coberto, plano e com água próxima, melhor.
Os microorganismos necessitam de oxigênio, se houver encharcamento ou demora para revirar a pilha, o processo de digestão pode ser atrasado. Mesmo mantendo a umidade ideal, o oxigênio é consumido em aproximadamente 3 a 4 dias. E a única maneira de supri-lo é revirando a pilha. O revolvimento do composto deve acontecer com maior freqüência possível, sempre se preocupando em cortar bem o material (o enxadão é uma ferramenta que se presta a este serviço), colocando a parte externa para dentro e a parte de dentro para fora.
Esta apostila é parte integrante do curso de Cafeicultura Orgânica da ESACMA - Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado, ministrado por Sérgio Pedini, engenheiro agrônomo, formado pela UFLA, com mestrado em Administração Rural, consultor da FADEPE, do SAPUCAÍ e da AAO – Associação de Agricultura Orgânica, professor da ESACMA e secretário executivo da ACOB – Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil e Ivan Franco Caixeta, engenheiro agrônomo, formado pela UFLA, com mestrado em Cafeicultura pela UFLA, professor da ESACMA e presidente da ACOB. Todos os contatos estão anexados à apostila.
Esta publicação contem capítulos gerais sobre Agricultura Orgânicos e outros específicos sobre Cafeicultura Orgânica.

