Não podemos limitar o fornecimento de matéria orgânica estritamente à criação animal. a produção de biomassa de origem vegetal tem possibilidades ainda inesgotadas por nós.
A matéria orgânica de origem vegetal poderá vir pela adubação verde em consórcio e rotação de culturas, delimitação de divisas, cercas-vivas, quebra-ventos, faixas de contorno, beiras de estrada, restos de cultura e capineiras. Podendo atender diferentes fins dentro da propriedade, por ex. alimentação animal , cama de animais ,cobertura morta e composto.
A utilização de todas estas formas irá depender principalmente da intensidade do uso da terra. A intensidade de uso é maior quanto menor é a área e aí a pressão pode vir tanto por parte do mercado como da família, que depende daquela área para subsistência. Sendo a terra utilizada intensivamente maior será a dependência do solo e do agricultor com relação à insumos externos a horta. Isto porque na horta não sobra tempo e espaço para uma adubação verde. a não ser que esta possa trazer renda. Desta forma pode ser mais viável no programa de rotação, consórcios de culturas comerciais e adubos verdes.
Um consórcio que vem dando muito certo para o verão, é o plantio de milho, mucuna e abóbora. Semeando a mucuna um a dois meses depois do milho, esta leguminosa irá fixar nitrogênio do ar que fertilizará a terra quando for incorporada junto com a pagada do milho. Nesse sistema colhe-se abóbora, milho verde ou maduro à mão, já que a mecanização de colheita fica dificultada pela mucuna. Outros consórcios como trigo morisco com plantas da família das brássicas ( couve, brócoli, couve-manteiga, couve-flor entre outras), no verão. E no inverno com a mesma família a ervilhaca, aveia preta entre outras.
O consórcio que é o cultivo simultâneo, ou seja no tempo e espaço, deve ser melhor estudado pois quase sempre causa competição entre as plantas consorciadas. Principalmente com os adubos verdes de verão que são muito agressivos. mas depois do período de mato competição (período em que a planta sente muito a competição alterando sua produção) não há mais necessidade do controle do mato. Sendo então, este o momento de quebramos a monotonia da monocultura e sentirmos efeitos positivos do mato.
Uma forma alternativa aos consórcios, causando menor competição, é o cultivo em faixas. Em uma faixa cultiva-se o adubo verde, permanecendo o restante da área ocupada pelas culturas de interesse econômico. As faixas de adubos verdes podem ser compostas por mais de uma espécie, e se forem anuais ou bianuais, você pode caminhar com elas dentro da horta. Ou então, faixas de leguminosas perenes que serão mantidas fixas utilizando-se as podas na alimentação animal, cobertura do solo ou economia de fontes de nitrogênio.
Como exemplo desta opção temos exemplo da horticultura biointensiva (HBI) do IIRR (Instituto Internacional de Reconstrução Rural) nas Filipinas. Lá eles plantam faixas de leguminosas de crescimento rápido a cada 4 a 5 metros, alternadas com faixas de canteiros lado a lado. Estas plantas começam a ser cortadas com um ano, a 50 cm a cima do nível do solo e 3 a 4 vezes por ano. E o mais interessante é que eles utilizam partes das podas para fazerem biofertilizante líquido. Colocam 30 a 50 kg de podas mais um pouco de esterco num saco, que é colocado dentro de um tambor de água de 200 litros. Três semanas depois já pode ser usado, diluindo uma parte da solução para quatro de água e aplicado no solo ao redor das plantas, com a freqüência de 10 em 10 dias.
Estas mesmas faixas é que podem ainda ocupar beiras de estradas, linhas de contorno, cercas-vivas e quebra-ventos. Mas para cada utilização procure adotar a espécie de planta mais adequada. Se caso houver mais espaço na propriedade podemos lançar mão da adubação verde solteira ou em coquetel (consórcio de adubos verdes) . Que são altamente capacitadas na regeneração do solo. Por ex., segundo Veiga et al. (1982) a crotalária juncea, produziu em 61,7 ton. de matéria verde, 244 kg de nitrogênio , 208 kg de potássio , 156 kg de cálcio e 37 kg de magnésio. Esta crotalária ao 120 de idade tinha 2 metros e meio de altura e raízes a uma profundidade média de 4 metros. Apenas sua parte aérea, incorporou uma quantidade equivalente a 1,2 ton. de sulfato de amônia e 350 kg de cloreto de potássio.
O coquetel para adubação verde foi desenvolvida pelo Instituto Biodinâmico em Botucatu - São Paulo. E a técnica consiste no consórcio de espécie de adubos verdes, complementares com relação ao hábito de crescimento, exploração de diferentes extratos, profundidade de raízes, demanda nutricional etc. São utilizadas 12 espécies, no mínimo.
Estão relacionados a seguir as espécie e quantidades recomendadas.
Tabela: Discriminação das espécies e sementes indicadas para o coquetel de adubos verdes
Indispensáveis:
| Espécie | Nome | Quilos de sementes por hectare |
| Zea mays | Milho (porte alto) | 24 |
| Stizolobium aterrum | Mucuna preta | 16 |
| Canavalia brasiliensis | Feijão de porco | 16 |
| Dolichos lab-lab | Lab lab | 12 |
| Cajanus cajan | Guandu | 10 |
| Heleanthus annus | Girassol | 8 |
| Crotalaria juncea | Crotalaria | 5 |
| Ricinus communis | Mamona | 5 |
| Vigna inguiculata | Feijão catador | 4 |
| Painço | 4 | |
| Leucena leucena | Leucena | 2 |
| Tephrosia candida | Tefrósia | 1 |
Opcionais:
| Espécie | Nome | Quilos de sementes por hectare |
| Canavalia obtusifolha | Feijão bravo | 8 |
| Crotalaria ochoroleuca | Crotalária africana | 5 |
| Calopogonio mucunoides | Calopogônio | 4 |
| Sorgo vulgaris | Sorgo forrgaeiro | 4 |
| Crotalaria anageroides | Anageroides | 3 |
| Fennisetum typhoideum | Milheto | 2 |
| Fogopirum esculentum | Trigo sarraceno | 2 |
| Cucurbita moschata | Abóbora | 5 |
Fonte: Instituto Biodinâmico, Botucatu.
Curso: cafeicultura orgânica (aula 1)
Curso de cafeicultura orgânica: (aula 2) - Composto orgânico
Esta apostila é parte integrante do curso de Cafeicultura Orgânica da ESACMA - Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado, ministrado por Sérgio Pedini, engenheiro agrônomo, formado pela UFLA, com mestrado em Administração Rural, consultor da FADEPE, do SAPUCAÍ e da AAO – Associação de Agricultura Orgânica, professor da ESACMA e secretário executivo da ACOB – Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil e Ivan Franco Caixeta, engenheiro agrônomo, formado pela UFLA, com mestrado em Cafeicultura pela UFLA, professor da ESACMA e presidente da ACOB. Todos os contatos estão anexados à apostila.
Esta publicação contem capítulos gerais sobre Agricultura Orgânicos e outros específicos sobre Cafeicultura Orgânica.

