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Rastreabilidade na produção integrada de trigo

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Imagem ilustrativa Trigo

O mercado de grãos diferenciados está em expansão, influenciado por fatores como avanços na biotecnologia, inovações no processamento industrial, melhorias logísticas, tecnologia da informação e preferências dos consumidores. No setor tritícola, a segregação pode ser de acordo com a cultivar, a classe comercial e resultados de análises, que definem a qualidade e à aptidão tecnológica.

Essas características podem variar conforme o genótipo, às condições climáticas e à região produtora. A segregação possibilita agregar maior valor ao trigo, minimizando perdas e incrementando a qualidade, com melhor planejamento da produção, desde a escolha da cultivar até a definição de lotes para armazenamento e comercialização. Dentre as iniciativas que fomentam parcerias entre agentes da cadeia produtiva, visando a segregação e a qualificação, destaca-se o projeto Produção Integrada de Trigo (PIT), que envolve etapas que inferem caráter de sustentabilidade ao sistema produtivo, à rastreabilidade e à certificação de produtos. Na produção integrada, exige-se a implementação de sistema de rastreabilidade que permita a identificação da origem e das características do trigo, como pré-requisito para a certificação do produto final. Neste contexto, está sendo desenvolvido o caderno de campo digital, que auxilia na identificação do local de produção e no registro do manejo realizado, facilitando a implementação de sistemas de rastreabilidade e de certificação.

O caderno de campo digital é específico para cada gleba e contém as informações do manejo adotado na lavoura. Na página inicial, a entrada de usuários é controlada por senha e os campos disponíveis para acesso são: cadastro de usuários, cadernos de campo, banco de dados de cultivares de trigo, de pragas, de doenças e de agrotóxicos registrados para a cultura (Figura 1). Na identificação de glebas inclui-se a localização, o ano, a cultivar de trigo e o nome do técnico que acompanha a lavoura. O georreferenciamento das glebas da propriedade possibilita a utilização de mapas digitais de imagens satelitais da propriedade (GoogleMaps) com vistas à certificação (Figura 2).

Os principais parâmetros do resultado da análise química do solo podem ser registrados no caderno de campo digital, possibilitando rápido e fácil acesso. O sistema de rotação de culturas pode ser registrado, identificando os cultivos realizados em cada estação do ano. O caderno de campo digital, além de armazenar e disponibilizar informações em banco de dados auxilia na coleta e na entrada de informações de manejo empregado na lavoura de trigo, como o monitoramento de pragas e doenças.

Os registros de agroquímicos aplicados na produção devem ser efetuados em planilhas. Como exemplo a identificação do produto, a dosagem, a data e o responsável pelo tratamento de sementes. No caderno de campo digital, foram associadas outras fontes de informação disponíveis na Internet, como o sistema de alerta para a ocorrência de giberela e brusone no trigo – SISALERT e as informações para diagnose virtual de doenças, que são ferramentas importantes para auxiliar na tomada de decisão pelos produtores e técnicos (Figura 3).

Os registros podem ser efetuados através de equipamentos móveis como computador, palmtop ou celular que possibilitam o registro e a transmissão automática das informações para o banco de dados. O banco de dados armazena todas as informações de forma segura e eficiente, viabilizando a captura, análise, processamento e transmissão, visando melhorar a exatidão e velocidade de acesso às informações do trigo rastreado. O acompanhamento do sistema de rastreabilidade é realizado através de um sistema Web, com restrição de acesso de acordo com o interesse e/ou necessidade.

O caderno de campo digital permite a transmissão automática dos registros, bem como a integração de informações entre os agentes da cadeia produtiva, conferindo agilidade e confiabilidade no sistema de rastreabilidade e de certificação da produção integrada de trigo.

Casiane Salete Tibola e José Maurício Cunha Fernandes - Pesquisadores da Embrapa Trigo

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Fonte: Embrapa Trigo


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